Aversão e beleza
Por Célio Oliveira
Hoje li um artigo do cineasta paulista Henrique Goldman sob o título “Malditos Cariocas”, publicado na revista Trip de novembro de 2002. Como se pode perceber pelo título, ele aborda a cidade do Rio de Janeiro (foto), sua gente e seus modos.Goldman narra a sua ojeriza pela Cidade Maravilhosa, que ele sempre a achou horrível, uma vez que a beleza da capital fluminense e a eshperrteza (grifo dele) dos cariocas os humilham.
O cineasta justifica o seu xenofobismo tupiniquim narrando um incidente que lhe aconteceu quando estava no trânsito do Rio. Em dado momento, ele percebeu que duas criancinhas cariocas o encaravam de um outro carro. Para ser gentil, sorriu para elas e deu um tchauzinho.
Ele conta que as criancinhas lhe lançaram um olhar com ar de desprezo, viraram as costas e o ignoraram. O amigo, que dirigia o veículo ao seu lado, lhe disse resignado: “No Rio, criancinhas não dão tchauzinho para otário”.
Considerei o artigo muito interessante porque, além de o autor não morrer de amores pela Cidade Maravilhosa, se deixa seduzir pelo sotaque e pelas bundas das cariocas; e também por revelar o lado conflituoso existente entre populações de certos estados brasileiros, como é o caso de paulista e cariocas, gaúchos e paranaenses e, aqui no Norte, entre amazonenses e paraenses.
Quando adolescente eu nutria um sonho que a maioria das pessoas que nascem no Norte e Nordeste do país tem em conhecer o Rio de Janeiro, dada a publicidade excessiva que a mídia nacional faz a respeito desta cidade. Infelizmente, até hoje, não tive a oportunidade de conhecer o Rio.
Não sou afeito à aversão a pessoas de outros estados e origens (toda regra tem suas exceções), mas tenho de compartilhar do mesmo pensamento do Henrique Goldman.

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